quarta-feira, 18 de junho de 2008

A invencibilidade reside na defesa, a possibilidade de vitória, no ataque.
(Sun Tzu)

Na turbulenta época dos estados guerreiros na China, há 2.500 anos, Sun Tzu, um filósofo-estrategista, escreveu o mais antigo tratado de guerra e estratégia: A Arte da Guerra.

Nele, Sun Tzu ensina que o segredo da invencibilidade é a defesa.

Na guerra como na vida, ser invencível é não perder, não ser derrotado. É não ser atingido por nenhuma bala. É não bater o carro, não adoecer, não se acidentar. Para um time de futebol, não perder é, primeiro, não tomar gol. É preciso saber se defender. Atenção, cautela, cuidados.

Mas, não perder, apenas, é mais ou menos como se fosse um empate. Pode não ser pouco, mas também não é tudo. Sun Tzu ensina, então, que a chave para a vitória é o ataque. Não basta, pois, se defender: é preciso atacar, é preciso agir. Numa corrida de Fórmula 1, não bater o carro não é suficiente, é preciso ser veloz. É preciso ser pró-ativo.

Pode-se ter uma ótima defesa, mas um péssimo ataque: não se perde, mas também não se ganha. A vida deve ser saudável, mas não precisa ser monótona.

Pode-se ter um excelente ataque, e uma defesa deficiente: o ataque é positivo, com muitos gols, mas os tentos sofridos acabam anulando o resultado final. Diverte-se muito, mas aproveita-se pouco.

O que Sun Tzu não disse é que uma ótima defesa e um excelente ataque também não bastam, em si. Há que haver uma sustentação, algo que possibilite a junção entre a defesa e o ataque. Uma sustentação, talvez, ideológica, que a tudo dê sentido e vá além de uma defesa vã ou um ataque fútil.

Ideal, defesa e ataque. Coragem, cautela e ação. Objetivo, planejamento e realização. Fé, prática e estudo. São nomes diferentes para o mesmo princípio.

Na geometria, um ponto é um ponto. Dois pontos formam uma reta. E três pontos definem um plano no espaço. Um tripé não manca – seja uma cadeira, uma mesa ou qualquer outro objeto. Há um equilíbrio natural, porque 3 pontos formam um único plano no espaço. É o que se chama “plano perfeito”. É o princípio básico. É o início fundamental.

A defesa é o estudo – o kyogaku. É o conhecimento, a inteligência, a sabedoria. Prevenção. Conhecimento. Planejamento. Natureza. Mente. Nyoze-sho.

O ataque é a prática – daimoku, chakubuku, atividades. É o fazer, a ação, a realização. É ostensivo. Corpo. O que aparece. O que se vê. Nyoze-so.

O estudo nos torna saudáveis, resistentes, invencíveis. A prática nos faz ativos, atuantes, vibrantes. A fé – crença, ideologia, vontade, coragem - dá sentido e direção, consolida e sustenta os pensamentos e as ações. Entidade. Nyoze-tai.

Equilíbrio natural, sem malabarismos.

Shin-gyo-gaku.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Os bosques são adoráveis, escuros e fundos,
mas tenho promessas a cumprir,
e milhas a trilhar antes de dormir,
e milhas a trilhar antes de dormir.
(Robert Frost)

Todos os dias fazemos coisas simples que, no fazer diário, se tornam automáticas, e nelas nem prestamos atenção. São coisas poucas, pequenas. Apesar disso, como são importantes. E não nos damos conta disso.

Uma das grandes alegrias que tive na vida foi quando consegui fazer algo assim, coisa pouca, simples e pequena. Mas, tive que me esforçar muito para conseguir. Foi por ocasião do meu acidente, ainda no hospital. Todo alquebrado, eu passava o dia inteiro deitado. Banho, inclusive, e outras necessidades tais, tudo na cama. Coisa de doente ou de acidentado.

Acho que fui um bom paciente. Tirando a preocupação natural que as pessoas têm nessas ocasiões, não devo ter dado maiores trabalhos a quem se dava ao encargo de cuidar de mim (aliás, quanta gente cuidou de mim, inclusive à distância).

Sempre que me mexia ou dava uma tossida, quem estava comigo também se mexia, para se certificar se estava tudo bem. Um dia resolvi me levantar da cama e ir ao toilete sozinho. A pessoa que estava comigo (que não me lembro quem era) deve ter pensado: ih, vai começar a dar trabalho.

Com algum custo e muita ajuda, consegui me colocar sentado naquela cama de metal do hospital e, depois, de pé, levando junto o suporte com o soro, me pus a caminho do destino. Lentamente, me apoiando em alguém, venci os poucos metros - que poderiam ser quilômetros - e, triunfante, cheguei lá. Consegui!

Parece pouco. Aos normais realmente é pouco. A mim, a partir daquele dia, esse simples ato passou a ser quase uma celebração diária de independência: levantar da cama, ir ao banheiro, fazer a higiene pessoal e começar o dia!

Tive uma fratura exposta no lado esquerdo da cabeça. Uma abertura de alguns centímetros, uns ossos triturados e nervos lesionados. Alguns dias depois do acidente, ainda no hospital, uma paralisia facial no lado esquerdo do rosto, que perdurou por algumas semanas e, até hoje, deixou sobras. Por um tempo, fiquei com a cara torta - eu só movia o lado direito do rosto, a outra metade paralisada. Além disso, minha capacidade de compreensão e de pronunciar as palavras foi afetada. Era muito estranho, porque eu sabia ler as palavras, mas não entendia mais o significado delas. Lia o mesmo trecho de letras várias vezes, sem entender bulhufas o que estava escrito. Para falar acontecia mais ou menos o mesmo: eu queria falar algo, mas não encontrava as palavras para me expressar, e ficava repetindo as mesmas coisas.

Então eu estava assim: com o rosto torto, mal conseguindo ficar de pé, repetindo as mesmas palavras. Não devem ser poucos os que, ao me ver, pensaram: dessa ele escapou mas, em compensação...

A única vez que andei de cadeira de rodas foi quando tive alta: do quarto até a saída do hospital. Com algum esforço fui colocado no carro. Meu irmão na direção. Fazia muito tempo que eu não via as ruas, o movimento, a cidade. Não me lembro qual dia era aquele, do clima ou do trajeto por onde passamos, mas a sensação de estar voltando para casa é ótima. E eu estava louco para voltar para casa.

Lá chegamos. Mais uma vez todo o trabalho para eu sair do carro, passar pela porta e vencer alguns degraus. Finalmente, na sala de casa. Sentei-me na cadeira diante do oratório. Todos esses dias sem ver o Gohonzon. Eu queria recitar o daimoku. Não sei quanto tempo fiquei ali, sentado, tentando pronunciar o daimoku. Alguns segundos? Alguns minutos? Não sei. O que me lembro daquele instante é que me emocionei muito. Ali, sentado, com as mãos postas em oração, o tempo não tinha nenhuma importância, e um pensamento claro me veio de súbito: venci, estou vivo!!! Chorei. E uma sensação nova de alegria me invadiu. Não a alegria de conseguir algo, de encontrar alguém, ou de qualquer outra coisa, mas a alegria solta de estar vivo, pura e simplesmente. Foi a única vez que tive a intensidade dessa sensação, brotando espontaneamente. A vibração daquela alegria ainda reverbera em mim e, não poucas vezes, me mantém ainda vivo e humano.

Naquele momento fiz um juramento. Não uma promessa ou uma decisão, mas um juramento de vida. Penso que uma promessa ou decisão se esgotam no momento em que você consegue aquilo que prometera ou decidira. Um juramento, ao contrário, não se esvai e nem tem condicionantes. Nunca ser derrotado, foi o que jurei. Jurei nunca ser derrotado. Para quem havia vencido a morte inesperada, me pareceu fácil.

Sim, está decidido: morrerei de viver. E, se tombar no campo de batalha, será de pé.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Neste dia perfeito em que tudo amadurece e não é somente a fruta que se amorena, um raio de sol caiu sobre a minha vida: olhei para trás, olhei para a frente, nunca tinha visto tantas e tão boas coisas de uma só vez. Não foi em vão que enterrei hoje o meu quadragésimo quarto ano: eu podia enterrá-lo – o que nele era vida está salvo, é imortal.

(nietzsche – ecce homo)



No final de outubro de 1994 sofri um acidente de carro. Era por volta das 16:00 horas de um domingo. Eu retornava da cidade de São Carlos, onde tinha participado de algumas atividades. Tinha ido até lá para me encontrar com as pessoas, em especial um amigo, a quem quis tranquilizar com minha presença.

A primeira coisa que eu fazia, todos os dias, ao acordar e levantar da cama, era ligar o rádio. Sem que tivesse me dado conta disso, naquela manhã a rotina não se repetiu. Feitos os preparativos matinais, antes de sair para a viagem, fiquei um tempo sentado no sofá da sala, sozinho, pensando não sei o que, o que também não era meu hábito. Os fatos corriqueiros não passaram despercebidos do pessoal lá de casa. Alguém comentou, depois, que minha mãe havia perguntado se eu estava com algum problema porque, aparentemente, desde alguns dias eu estava um pouco diferente em alguma coisa. Não sei se eu estava mais quieto, mais introspectivo... a mim não parecia haver alguma diferença. Mesmo assim, aqueles últimos dias tinham tido, sim, algo diferente, não sei em que. E, naquela manhã em particular, eu estava me sentindo muito bem e na plenitude da minha sanidade física e mental. Acho que eu estava pronto.

A viagem de ida e a atividade transcorreram bem. Após, antes de retornar, almoçamos juntos. Na saída, como eu não sabia direito o caminho, segui com meu carro com o pessoal à frente, me guiando até perto do trevo. Lá chegando, paramos os veículos e nos despedimos antes de eu seguir viagem. Me lembro do último aperto de mãos, e só. Depois, a única recordação é do momento em que abri os olhos, já no quarto do hospital, e vi meus irmãos. Nunca perguntei a eles, mas penso que a visão que tinham de mim deitado naquela cama de hospital não era das mais agradáveis. Mas a minha visão deles foi familiar e reconfortante. Não sei se eu estava mesmo consciente, mas de alguma forma eu sabia que algo havia acontecido. Eu só não tinha ainda a noção exata do ocorrido.

Os amigos de São Carlos, quando ficaram sabendo do acidente (que foi na rodovia, perto da saída da cidade), correram ao hospital. Quando lá chegaram eu já tinha sido socorrido e, segundo me contaram, foram informados pelo guarda de que já podiam rezar por mim (depois de uns dias internado em São Carlos, fui transferido para Ribeirão Preto, trazido de ambulância – na última noite lá, aquele guarda foi me ver no quarto, para se certificar de que, realmente, além de não ter morrido, eu ainda estava inteiro).

Fui socorrido pelo Resgate que, dizem, passava pelo local logo após o acidente. Fui atendido no hospital pelo chefe da equipe de neurocirurgia que, no momento em que cheguei no hospital, fim da tarde do domingo, lá se encontrava.

Meses depois, ao retornar à São Carlos para vender ao ferro-velho o que sobrara do carro, ouvi do sucateiro: cadê os pedacinhos do cara que estava no carro? Respondi: o cara que estava aí continua inteiro; aliás, está mais inteiro ainda.

Até hoje não sei o que e como aconteceu. Vagamente entendo porque. Não sofri nenhuma dor em razão do acidente. Mas isso é motivo para outras postagens.

terça-feira, 22 de abril de 2008

JAMES CAMPBELL QUICK é americano, psicólogo, Ph.D. em administração de empresas, professor de comportamento organizacional da Universidade do Texas, editor do principal jornal de psicologia e saúde no trabalho. O texto que segue foi extraído de uma entrevista publicada nas páginas amarelas da revista Veja, na edição de 18/09/02, sob o título “Use o stress a seu favor”.

A maioria das pessoas pensa no stress como algo ruim. Mas, em vez de aprender a evitá-lo, o que é impossível, temos de aprender a controlá-lo e a usá-lo de forma saudável, produtiva e criativa.

Só quem está morto não tem stress. Ele é uma arma que ativa as funções corporais e põe a pessoa pronta para a ação, preparada para sobreviver. Isso vale tanto para coisas como correr ou superar uma ameaça, quanto para construir prédios altos e trabalhar com afinco. Quem não tem stress suficiente não está usando todo o potencial como ser humano.

Para fazer uso positivo do stress, primeiro é preciso identificar o momento em que ele está começando a fazer mal. Numa situação de alto stress, as respostas mais comuns são lutar ou fugir. No trabalho, enquanto o stress está gerando entusiasmo, motivação, ele é bom. Quando ganha as características de desânimo, cansaço, irritação, passa a ser mau. Nesse momento, antes de pedir demissão, vale a pena usar uma técnica respiratória. Inspirar o ar lentamente e tentar levá-lo para a parte inferior do pulmão. É a respiração abdominal. Depois, vem o cuidado com a mente. A pessoa deve concentrar sua atenção em algum ponto fixo ou numa idéia ou frase. Pode ser até algo religioso. Essa é uma forma de sintonizar-se apenas no processo que está acontecendo em seu corpo. Com isso, os sintomas de ansiedade são revertidos. A pressão arterial diminui e os músculos ficam relaxados. O nível de stress desce e pode ser recolocado na direção produtiva. Há quem consiga até regular os batimentos cardíacos agindo assim.

Qualquer um pode fazer isso, desde que tenha treinado. Não basta usar a técnica na primeira situação de stress que aparecer. Para quem treina, na hora em que precisar, vai ser automático.

Um dos métodos para se aprender a ter esse autocontrole é a meditação. O ideal é fazê-lo todos os dias. Encontrar um lugar tranquilo, pouco iluminado, sentar-se numa posição confortável e concentrar-se numa frase ou oração, por quinze ou vinte minutos. Jamais se deve usar o despertador para marcar o tempo, é bom sair lentamente da meditação. Isso facilitará o controle do stress. Um sinal da tensão é a baixa temperatura das extremidades do corpo. Às vezes coloco um termômetro entre meus dedos. A temperatura que, no início da meditação está em 30 graus, ao final chega a 34.

É necessário condicionar-se para obter o equilíbrio entre a tensão e o relaxamento, para poder usar o stress a seu favor. Um atleta ansioso além do ponto perde desempenho. Treinar todos os dias os fundamentos básicos é um aprendizado óbvio. Se escrevo, tenho de treinar para escrever cada vez melhor. Se sou um negociador, idem. Outra coisa importante é que a renovação de energia é tão importante quanto o gasto. É preciso saber quando relaxar e quando se aplicar mais.

Situações desgastantes na vida pessoal podem levar stress ao trabalho, e vice-versa. Os efeitos ruins podem ser minimizados escrevendo diários, com orações ou com a confissão. É suficiente escrever por cinco, quinze minutos, ou meia hora.

Outra grande fonte de stress e risco para a saúde é o isolamento social. Há diferenças entre as pessoas quanto à quantidade de contato social de que precisam. Mas, nenhuma consegue ficar sem.

No início do século passado, o atleta americano Jim Thorpe estava indo para as Olimpíadas na Europa, a bordo de um navio, sentado, e o treinador perguntou: “Por que você não está praticando?”. Ele respondeu: “Treinador, eu estou aqui sentado, com meus olhos fechados, me vendo ganhar uma prova de 100 metros rasos”. Ele estava imaginando, em sua mente, o que iria fazer depois. É a técnica da visualização. Claro que não é só porque se consegue visualizar um fato que ele vai acontecer. Mas, ser capaz de imaginar uma situação ou uma meta, aumenta significativamente a chance de que aquilo seja alcançado.

Quanto à desmotivação, nem sempre é possível evitá-la. E isso não é ruim. Falta de motivação na verdade é falta de gasto de energia. No meu trabalho, há dias em que sou extremamente produtivo. Em outros, faço o meu trabalho e me esforço para me disciplinar. E há até períodos em que estou muito confuso para escrever. Isso não dura muito tempo, mas uso esses períodos de falta de motivação para reposição de energia. Faço um esporte. Períodos curtos de falta de motivação não são ruins. Podem tornar-se momentos de reposição de energia.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A colônia japonesa de Mombuca surgiu em 1962, a 50 km de Ribeirão Preto, no então distrito de Guatapará. Curiosamente, a palavra “mombuca” não é japonesa – é o nome de uma espécie de abelhas e tem origem indígena.

Mas foi em Mombuca, em 1962, que se estabeleceu a família de Hitoshi Miura, a primeira a trazer o Gohonzon para a região. Ele veio no 2° grupo de um grupo maior de 120 famílias que veio compor a colônia.

Ishizaki foi a segunda família a chegar com seu Gohonzon. Depois vieram as famílias de Tadashi Suzuki e Horikawa.

Em 1964 outras famílias chegaram em Mombuca: Abe, Sakuma, Kimura, Suzuki.

O sr Takeo Abe se converteu ao budismo Nitiren no dia 18 de janeiro de 1958, no Japão. Lá participou ativamente das atividades por seis anos, tendo encontrado uma vez com o presidente Jossei Toda. Foi responsável de bloco, depois nomeado responsável de comunidade, função que não teve muito tempo para desempenhar. Participou da famosa convenção da posse do presidente Ikeda, no dia 3 de maio de 1960. Foi nessa ocasião que ficou sabendo da existência de membros da Soka Gakkai no Brasil, e desejou morar na distante terra, fato que acabou se tornando realidade.

No dia 30 de agosto de 1964, já no Brasil, o sr Abe foi nomeado responsável de bloco, quando foi fundada a primeira comunidade da BSGI na região de Ribeirão Preto: a Comunidade Guatapará, que teve o sr Ishizaki como o seu primeiro responsável.

No ano seguinte, em 1965, foi fundada a segunda comunidade – Comunidade Ribeirão – da qual ficou responsável o sr Abe que, em 1966, passou a liderar um distrito composto por 114 famílias.

Na cidade de Ribeirão Preto, propriamente dita, as primeiras famílias que se converteram ao budismo Nitiren foram Furukawa, Tokairim, Hamamura, Kato e Takeuchi. Eram japoneses que moravam na cidade e, ao menos, conseguiam se comunicar em português, numa época em que a língua falada nas reuniões era o japonês.

Além da região de Ribeirão Preto, o distrito abrangia um vasto território, chegando a alcançar as cidades de São José do Rio Preto, Bastos e até Brasília.

Quanto aos brasileiros natos, os primeiros que por aqui se converteram foram o srs Acílio e Joaquim Taschetti.

Além das pessoas e sobrenomes aqui citados, muitas outras famílias também registraram seu nome na história pioneira: Tanaka, Sato, Kawasaki, Hirabayashi, Kondo, Miyazaki, Wada, Sakuma, Higuchi.

Esses fatos me foram narrados pelo sr Abe, há muitos anos, numa tarde de sábado em que o visitei na sua residência, naquele lugar mágico, fora do tempo e do espaço, chamado Mombuca. Ele falou de pessoas, de nomes e sobrenomes que, hoje, ninguém mais conhece. Mostrou objetos fascinantes e contou histórias que não existem mais. Contou sobre a nascente de onde se originaram muitos e variados rios e afluentes, formada por dezenas e centenas de desafios e dramas pessoais, de extraordinárias conquistas, de feitos inimagináveis que acabaram por ficar perdidos nos vãos e desvãos da história, à espera de alguém que os resgate.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Quando criança acompanhava meus pais em todas as reuniões, e gostava quando elas aconteciam na casa da sra Tokairim (dona Catarina era seu “nome” em português). Era uma casa grande, na rua Mariana Junqueira, com uma ampla sala. Um estreito e alto portão de grades de ferro na entrada da rua. Subiam-se 3 degraus. No corredor de entrada, do lado direito, um aquário que era uma espécie de pequena piscina, feita com tijolos e pedras, com peixes e plantas ornamentais, em meio a um jardim com um pé de romã. Era uma casa meio misteriosa, com alguns segredos. Muitos quartos e um monte de gente estranha: lá funcionava uma pensão. Sempre achei que a casa tinha outra entrada; eu era curioso para descobrir onde era, mas o lugar tinha uns lugares que a gente não tinha permissão para adentrar.

Me lembro da sra Tokarim já viúva, não me recordo do seu marido. Mas sei que foi através do casal que, depois de mais ou menos 3 anos, meu pai decidiu se converter ao budismo, o que ocorreu no dia 28/02/69.

O local – a pensão da dona Catarina - centralizava as atividades do que seria hoje uma comunidade. Reuniões maiores eram numa escola, no centro da cidade, o SERP (não sei o que significava a sigla, todo mundo chamava o local assim mesmo, SERP, mas acho que devia ser algo como Sociedade Educacional de Ribeirão Preto). Lembro de outras reuniões, de maior porte, no salão social da Associação Nipo-Brasileira (ficava na Rua Paraíba, onde também funcionava o cinema em que eram exibidos filmes japoneses). Tempos idos e bem distantes e, evidentemente, nem o maior dos visionários poderia imaginar, à época, algo como o atual Centro Cultural da BSGI de Ribeirão Preto, com suas várias salas e um amplo auditório com poltronas almofadadas, sistema de som, ar condicionado, elevador e muitos outros recursos.

Eu não assistia e nem participava das reuniões. Criança, ia mesmo para bagunçar e brincar com os outros garotos. Mas, nas reuniões maiores, quando a banda tocava, eu ficava de olho. A banda, no caso, era o início do início do Ongakutai: umas 4 ou 5 pessoas, “tocando” as canções da Soka Gakkai com um trompete, um clarinete, uma caixinha, um surdo e um par de pratos. A técnica era pouca, mas a vontade era muita. Em 1974, quando o Ongakutai de Ribeirão Preto foi fundado (o 1° fora da capital de São Paulo), eu tinha 11 anos de idade.

Aos 13 anos devo ter percebido que já estava ficando mais “rapaz” e resolvi praticar o budismo com seriedade. Lembro que tinha ouvido minha mãe comentar sobre um garoto que estava praticando o budismo e participando das atividades e, na minha mocidade, também quis ser alvo de sua admiração.

Na banda, eu queria tocar trombone de vara. Não sei de onde tinha tirado a idéia e, na verdade, eu nem sabia que instrumento era aquele. O responsável não gostou da minha escolha e sugeriu que eu escolhesse outro instrumento, porque eu não tinha nem tamanho para carregar o tal (fato que, de resto, ainda permanece verdadeiro), quanto mais tocá-lo. No fim, acabou que nem participei mais da banda.

Às vezes íamos à São Paulo participar de algum evento e, daquelas antigas grandes reuniões no Palácio Mauá, recordo de pouca coisa. Mas, algo que ficou marcado na minha lembrança foi a visão daqueles rapazes de branco, que me impressionavam pela postura e mobilidade. Era o pessoal do Gajokai (à época o grupo Sokahan ainda não existia). E eu também quis ser um deles.

Aos 15 anos fui nomeado para a primeira função, a de responsável de unidade, função que nem existe mais. Ao longo de 27 anos de atividades na Divisão Masculina de Jovens, a DMJ, foram centenas de viagens, outro tanto de visitas, diálogos, encontros, reuniões, preparativos. Incontáveis desafios vividos com pessoas extremamente competentes, comprometidas, leais, empreendedoras. Não é para qualquer um e, evidentemente, sempre me senti especialmente honrado pelo privilégio de compartilhar com eles muitas conquistas, as quais não é possível enumerar.

Cada realização teve sua importância, sua dinâmica e sua poética. Mas, dentre tantas, há aquelas que, acredito, foram grandes marcos definidores e afirmadores: a inauguração da 1ª Sede Regional, em julho de 1985, na rua Paraíso; a 1ª apresentação das bandas juvenis em um evento externo, na cidade de Monte Alto; o 1° desfile nas ruas de Ribeirão Preto; o Show Musical no Teatro de Arena em 1994; a visita-atividade de 1.000 pessoas ao Centro Cultural Campestre da BSGI; a “volta para casa” na comemoração dos 35 anos da BSGI Ribeirão Preto em Mombuca; a Exposição de Desenhos das Crianças do Brasil e do Mundo no Novo Shopping em março de 2000; a construção e inauguração do Centro Cultural, no final de 2001.

Alguns estão ativos na DMJ ainda, outros já se formaram da divisão. Mas a história deixada é longa e definitiva. O grande legado daquele grupo de pessoas foi, certamente, a criação, o desenvolvimento, o fortalecimento e a consolidação dos chamados grupos horizontais, e o estabelecimento de procedimentos e de uma forma de atuação que se tornou o diferencial, a marca característica e a grande força de realização da BSGI de Ribeirão Preto. Enquanto estiverem bem, não há com que se preocupar.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Trechos extraídos de matéria publicada na revista Superinteressante (outubro/2003 - "É só respirar")

As pesquisas comprovam: meditar afeta, de fato, as ondas cerebrais, e produz efeitos positivos sobre o sistema imunológico, reduz a tensão e alivia a dor, além de ser um bom antídoto ao estresse.

Segundo o psicólogo José Roberto Leite, coordenador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp, focalizar a atenção no mundo interior, como se faz na meditação, é uma situação terapêutica.

No passado, os males eram causados principalmente por microorganismos. As pessoas morriam de poliomielite, de sarampo, de varíola e outras doenças causadas por bactérias e vírus. Isso mudou, graças às melhorias em saneamento e outros avanços na área da saúde, como a criação de antibióticos e vacinas. Hoje, a maioria das doenças é causada por coisas como hipertensão, obesidade e dependência química, que estão ligadas a padrões inadequados de comportamento. Ou seja, o que mata hoje são os maus hábitos.

Esses maus hábitos podem ser combatidos pela meditação, também chamada de “prática contemplativa”. Sabe-se que apaziguar a mente pode reduzir o nível de ansiedade e corrigir comportamentos pouco saudáveis.

Nos anos 70, o cantor e compositor Walter Franco já cantava que tudo é uma questão de "manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo".

Os efeitos da meditação sobre o corpo são surpreendentes: consome-se menos oxigênio e diminui-se o ritmo cardíaco. As ondas cerebrais alcançam o chamado ritmo teta, mais lento e poderoso, vibrando a apenas 4 ciclos por segundo (quando estamos ativos, o cérebro emite ondas beta, em torno de 13 ciclos por segundo).

No momento da meditação, o fluxo sanguíneo diminui em quase todas as áreas cerebrais, mas aumenta na região do sistema límbico, o chamado “cérebro emocional”, responsável pelas emoções, a memória e os ritmos do coração, da respiração e do metabolismo.

Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, constatou que em práticas como a meditação e a oração, ocorre uma significativa alteração no lobo parietal superior, localizado na parte anterior do cérebro e responsável pelo senso de orientação – a capacidade de percepção do espaço e do tempo e da própria individualidade. Segundo suas descobertas, à medida que a contemplação se torna mais profunda, a atividade na região diminui aos poucos até cessar totalmente no momento de pico, aquele em que o meditador experimenta a sensação de unicidade com o Universo, cerca de uma hora após o início da concentração. Nesse instante, privados de impulsos elétricos, os neurônios do lobo parietal desligam os mecanismos das funções visuais e motoras e o meditador ou devoto perde a noção do “eu” e sente-se prazerosamente expandido, além de qualquer limite. É o nirvana.

Com suficiente prática, os neurônios podem reprogramar a atividade dos lobos cerebrais, especialmente a área relacionada à concentração e à orientação.

E como se medita? Há várias maneiras, mas a regra básica é a mesma: concentração. Vale concentrar-se na respiração, uma imagem, um som ou na repetição de uma palavra.

Pode-se meditar sentado no chão ou em uma cadeira. Nesse caso, mantenha a coluna ereta e concentre-se nos movimentos derespiração, observando a entrada e a saída do ar pelas narinas. Se preferir, concentre-se num mantra, que deve ser repetido a cada expiração. Fechar os olhos pode ajudar. Se ficar de olhos abertos, concentre o olhar em um ponto.


OBS: a recitação do daimoku é uma prática meditativa

terça-feira, 11 de março de 2008

Parece que, ao pensar e escrever sobre coisas que se foram, o passado começa a remoer em algum lugar, dentro da cabeça. No meu caso, quase que saltou para fora. Lembrei de acontecimentos, pessoas, lugares, objetos, com uma estranha riqueza de detalhes. Detalhes dos quais, aliás, eu nunca tinha me dado conta. E que eu nem sabia que sabia.

Lembrei-me de uma noite em que - ainda moleque, quase criança - depois de uma reunião, a pedido do meu pai, acompanhei uma senhora - dona Teresinha, grande pioneira e veterana de São Joaquim da Barra – do bar até a rodoviária. Acho que fomos eu e meu irmão. Não sei porque isso ficou marcado na minha memória. Imagino até que não tenha sido bem como ficou gravado. Mas, ao retornar, devo ter ficado orgulhoso com a sensação do dever cumprido e de ter podido ajudar alguém. Deve ter sido a primeira vez que fiz algo por alguém, sem ganhar nada em troca. Até então, ou alguém me levava, ou eu ia sozinho. Nunca tinha levado ninguém a nenhum lugar. E, ao lembrar da dona Teresinha, imediatamente lembrei do sr. Lauro, seu falecido marido. Magro, alto e, na minha lembrança de criança, sempre sorridente. Nem sei se ele era mesmo magro e alto, mas é essa a imagem que ficou marcada.

Como a imagem do sr. Acílio, sempre com seu guarda-chuva. E sempre com um caderno ou um livro na mão. E a sra. Hamamura – a dona Cristina - no box do mercadão, sorridente e atenciosa e, mesmo de avental, sempre com um porte elegante. O sr. Joaquim Taschetti, com seu bigodão, que não consigo lembrar de ter visto alguma vez desacompanhado da dona Carlota. Tantos outros, muitos nomes e sobrenomes... Altino, Oscar, Higino, Geraldo, Odila, Mauro, Luis, Senju, Yoshitome, Ushirobira, Ishizaki, Tokairim, Tawada, Nemoto, Saito... Aliás, os casais Nemoto e Saito eram os velhinhos mais velhinhos e mais vigorosos e mais simpáticos e mais ternos que já conheci... Lembro de seus movimentos lentos e seguros, de suas mãos de avós, cumprimentando, acenando, afagando... Quanta história, quanta riqueza...


Acho que naquele tempo todos eram sorridentes: só consigo lembrar deles assim, com um sorriso no rosto. Até a lembrança do sr. Abe, que não falava português e cuja feição sempre me remeteu ao sr. Makiguti, só me aparece sorrindo.

Minhas reverências a meus preciosos professores.

terça-feira, 4 de março de 2008


No dia 28 de fevereiro minha mãe completou 81 anos de idade. Nesse mesmo dia, em 1969, nos convertemos ao budismo Nitiren. Meu pai tinha 47 anos e minha mãe completava, naquele exato dia, 42 anos. Eu tinha quase 6 anos de idade. E lá se foram 39 anos.

Não me lembro de quase nada daquele dia.

Me recordo, daquela época, de meus pais sentados diante do Gohonzon, para o gongyo, e eu e meu irmão atrás, morrendo de rir, achando graça de tudo. Também me recordo de que sentávamos em nossos carrinhos de brinquedo para recitar o daimoku. Acho que o meu era preto, com alguns detalhes em vermelho... talvez fosse um carro de polícia, sei lá.... Os meus pais à frente, nós sentados atrás, em nossos brinquedos.

Tínhamos um bar, e morávamos nos fundos. Rua José Bonifácio, no quarteirão da frente do Mercado Municipal, bem no meio do baixadão. Diante do bar, na esquina com a rua São Sebastião, ficava o açougue dos irmãos Oranges que, na época, era o maior da cidade. Atrás, do outro lado do quarteirão, a Avenida Jerônimo Gonçalves. A rodoviária ainda não era ali - ela ficava onde hoje é um posto do Corpo de Bombeiros.

Do lado direito do bar ficava a loja do Sr Elias. Ele falava, mas não tinha voz, porque tinha um furo bem no meio da garganta (o que, para uma criança, era motivo de muita fantasia). Só bem depois fui saber do que se tratava: traqueostomia. Do outro lado não me recordo, mas sei que tinha a loja do Sr Nadim, que foi meu padrinho de batismo (sim, fui batizado!). Acho que foi dele que ganhei meu primeiro brinquedo (não sei se estou misturando as memórias, mas era uma locomotiva de trem, com bolinhas coloridas na chaminé).

Atravessando a rua tinha o Cantinho da Música, que está lá até hoje, no mesmo lugar. A Radio Lar também está lá, mas mudou de lado da rua. Já, a Casa Spanó, que vendia artigos de caça e pesca, não existe mais.

Ali nasci e cresci, na baixada da cidade, nos fundos de um bar.

A casa onde morávamos não era bem uma casa (afinal, os fundos de um bar...). E, não sei como, cabíamos todos lá. Meu pai, minha mãe e 8 irmãos em um cômodo de quarto, sala e cozinha. O banheiro era externo, e era o mesmo que servia ao bar, no fim do corredor. O banho só podia ser tomado depois que acabava o movimento do bar, e o chuveiro só tinha água fria. Caso contrário, o banho tinha que ser de bacia, no chão da cozinha. Não tínhamos vizinhos. Nossa casa não tinha cara de casa, não tinha frente de casa, não tinha porta de casa, não tinha janelas de casa. Entrávamos e saímos pela porta do bar. O chão era de assoalho de madeira e tinha por baixo um porão, onde as coisas viviam caindo e, por consequência, ficavam perdidas para sempre. Na minha infância, aquele porão era habitado por seres estranhíssimos.

Hoje sabemos mas, na época, nem imaginávamos como éramos pobres.

Ainda moleque, uma de minhas diversões era subir no muro da loja ao lado e, de lá, ganhar os telhados das lojas de onde, eu e meu irmão, secretamente de nossos pais, explorávamos o mundo. Não sei quantas telhas quebramos até aprender a andar por cima delas. E não posso negar: era uma delícia.

A parte da frente do bar tinha um balcão com alguns bancos e umas poucas mesas. Atrás tinha um salão com mais mesas e era lá, naquele salão, que as reuniões começaram a ser realizadas. As mesas eram afastadas, as cadeiras do bar arrumadas e estava tudo pronto para mais uma animada reunião.

E foram muitos e muitos encontros. Quanta gente por lá passou, em busca de alento, de esperança, de ouvidos, de palavras. Lá, no bar da minha infância, onde tudo começou. Um lugar que muita gente ainda carrega na memória. E que outras, mesmo sem terem lá estado e mesmo sem o saber, também carregam.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Vezes há em que as palavras, quando escritas, adquirem outra força ou têm um impacto diferente. Já me encontrei e dialoguei com muitas pessoas, mas para algumas delas achei de escrever. Anos atrás escrevi a uma amiga que passava por momentos complicados. O nome dela não importa e nem sei se ela ainda se lembra da carta, mas o afeto e carinho que me moveu a escrever é legítimo e ainda perdura.

Podemos dizer que nossa vida é fruto da interação do que somos com o que nos cerca. Há coisas em nós mesmos que nos desagrada, como há outras, nas pessoas, que igualmente nos incomodam. É preciso, então, que nos equilibremos e saibamos lidar com as situações. Desvendado o segredo do equilíbrio, estaremos próximos da sabedoria, do discernimento e da liberdade.

Enquanto isso, precisamos estar bem. É preciso jogar o jogo da vida. E a vida, como os jogos, tem suas regras. Umas claras e visíveis, outras implícitas e sutis. Há parceiros, mas há também adversários. Enfrentamos competidores, uns leais, outros desonestos. Mas a escolha das armas é pessoal. Como pessoal é a coragem. Afinal, é preciso coragem para pensar, como é preciso para sofrer ou lutar, porque ninguém pode pensar em nosso lugar, nem sofrer ou lutar em nosso lugar.


Duros são os momentos em que tudo parece estar perdido e, cansados e vencidos, somos tentados a desistir. Muitas vezes, perplexo e aturdido, me peguei tentando entender e encontrar razões. E, desarmado, fatigado, incapaz, impotente, deixava abertos todos os espaços para que a maldade - velha vilã invisível e insaciável - penetrasse. Felizmente, sempre consegui despertar a tempo. E você não sabe contra quais e quantas forças já precisei enfrentar, por mim e por vocês.


Uma vez jurei que nunca perderia. Não foi um desejo e nem uma decisão. Foi um juramento. Não tenho muitas qualidades. Poucas são minhas virtudes. Minha fé também é fraca. Mas, até agora, tenho conseguido cumprir meu juramento e, sei, porque conto com a ajuda de muitos amigos que nunca permitem que eu perca. Talvez venha daí o que você chama de comprometimento. Menos que compromisso, acho que é mera retribuição.


Sim, perdi muitas vezes. E me esforcei para transformar cada derrota em vitória. Cometi muitos erros e muitos outros ainda virão (afinal, quem está livre deles?). De qualquer forma, não me arrependo de nada do que tenha feito ou deixado de fazer. Não carrego mágoas ou frustrações.


Às vezes não é bom levar tudo tão a sério. Para mim, não há razão para tensões exageradas, ou para que nos angustiemos em demasia. A vida toda deve ser uma grande diversão, um grande prazer. Não fosse assim, qual o sentido e a graça das coisas? Não quer dizer que devamos ser negligentes, descuidados ou irresponsáveis. Mas, acho que tem a ver com liberdade e felicidade. Ser capaz de, independentemente de qualquer coisa, sorrir, significa ser maior do que tudo. O sorriso é a vitória do espírito.


Acredito que tudo esteja sendo difícil para você. Com razão, deve estar se sentindo incapaz diante de coisas que não são nem pequenas nem grandes, mas são importantes. Mas, dificuldades e condições desfavoráveis estarão sempre presentes, em quaisquer tempos, espaços ou dimensões. E, você sabe, minha filosofia pessoal é: faça sempre o melhor! E não se preocupe em demasia com o que pensam de você. Você não é o que pensam de você. Você é o que você é. Precisamos, sim, revelar nossa verdadeira identidade. Daimoku.


De qualquer forma, fique sempre tranquila. Faça sempre o que deve ser feito, e não se preocupe com resultados. Falo por mim: feito o que deve ser feito, a vitória é certa e natural. Sendo certa e natural, não é preciso se preocupar com ela.


Se precisar, dê vazão a seus anseios e incômodos. Estarei sempre por perto. Fique próxima.